06
Seg, Abr

destaques
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A nave da lua singrava

no céu francês 

e estava ébria com Rimbaud bebendo

das palavras licor alquímico exato

 

adornado de delírios legítimos (e francos)

mancomunado com o firmamento gaulês

 

enamorado do verbo navegava como um louco

por paragens de palavras nunca vistas

(por barcos embriagados)

incensos queimavam como pratas

moedas de colinas era sua alma

 

sábio cristal dedilhava, canções

para o espírito áureo encomendava a Deus

 

(porque o satã de Baudelaire

esgotara seu estoque de metáforas).

Teus olhos vêm da luz

vão à sombra

 

ver a tristeza

olhar escombros

 

ao umbral vazio

acodem dores solitárias

 

os lábios da alba

mordem o amanhecer

 

do profundo futuro vêm andorinhas

trajando gerúndios dos ninhos passados

 

e montanhas aladas

em suas asas de pedra ou lata

 

o imarcescível mar ainda murmura

desde sempre sou água e sal da sílaba.

Murilo Gun

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