06
Seg, Abr

destaques
Typography
  • Smaller Small Medium Big Bigger
  • Default Helvetica Segoe Georgia Times

o crítico é leitor; este, necessariamente

não é crítico, embora irrigorosamente o seja

sempre

cabe a quem leia os poemas entender ou

desentender o texto, ou melhor, atender ou intender

ao entendimento ou desentendimento do escrito

do criado (pela pena, não da alma, não pelo teclado da pele)

 

jamais poeta – se o for – deverá escrever

criar poema pensando (em Descartes) no possível

crítico, provável leitor, ou planejando escrever algo

entendível, palatável, a priori, como obrigação

 

99,91% dos que “escrevem” “poesia” comportam-se

deleteriamente dessa forma, usam o subterfúgio

do facilitário ao leitor (penitente)

e o resultado está ( se mostra visível)

nas montanhas de inúteis livros de (falsos) poetas por atacado

que nauseados prelos lançam como vômitos

golpadas brancas famélicas, douradas no rosto

das noites de autógrafos (tragicômicas e curiosas)

 

 prateleiras sofrem excesso de peso eterno

dos volumes líricos (encastoados nos cubículos)

as bancadas das livrarias abrigam lombadas

(com nomes de poetas estrelados)

sebos sebentam-se de tais rolos coloridos

e inconclusos, como sói ser a verdade

que baila em cada página da alma (tão fracassada).

 

(O esforço do poeta consuma-se

na brutal descarga de energia nervosa

(indessublimada, anticartática, inútil)

exigida.  Embora fezes rime com luzes

não é muito coerente. Embora muito real).

 

Murilo Gun

Inscreva-se através do nosso serviço de assinatura de e-mail gratuito para receber notificações quando novas informações estiverem disponíveis.
Advertisement

REVISTAS E JORNAIS