o crítico é leitor; este, necessariamente
não é crítico, embora irrigorosamente o seja
sempre
cabe a quem leia os poemas entender ou
desentender o texto, ou melhor, atender ou intender
ao entendimento ou desentendimento do escrito
do criado (pela pena, não da alma, não pelo teclado da pele)
jamais poeta – se o for – deverá escrever
criar poema pensando (em Descartes) no possível
crítico, provável leitor, ou planejando escrever algo
entendível, palatável, a priori, como obrigação
99,91% dos que “escrevem” “poesia” comportam-se
deleteriamente dessa forma, usam o subterfúgio
do facilitário ao leitor (penitente)
e o resultado está ( se mostra visível)
nas montanhas de inúteis livros de (falsos) poetas por atacado
que nauseados prelos lançam como vômitos
golpadas brancas famélicas, douradas no rosto
das noites de autógrafos (tragicômicas e curiosas)
prateleiras sofrem excesso de peso eterno
dos volumes líricos (encastoados nos cubículos)
as bancadas das livrarias abrigam lombadas
(com nomes de poetas estrelados)
sebos sebentam-se de tais rolos coloridos
e inconclusos, como sói ser a verdade
que baila em cada página da alma (tão fracassada).
(O esforço do poeta consuma-se
na brutal descarga de energia nervosa
(indessublimada, anticartática, inútil)
exigida. Embora fezes rime com luzes
não é muito coerente. Embora muito real).






