À desolada lua cão uiva em vão
a nua voz do cão dá-me volúpia
concede-me esta canção viva (uivo cão) delícias curvas
a meu parco espírito e baldio
meu canto pela rua deserta derrama-se
(despreza-o lua do cão)
aliciando gatos sob céu vagaroso
de outubro.
Juventude possuiu-me por alguns poucos
desvairados segundos
o desvario não durou (porque sempre
fui mais velho que a alma).
À volúpia elevei muros, represei-me, fugi.
Lábios de sede nunca deveriam morrer.
O cio é a mor riqueza das humanidades.
Cio animal vital.
À beira da aparentes águas
(ou boca náufraga)
não há salvação para lábios.






