06
Seg, Abr

destaques
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às baratas do secreno

      aos ratos do berco

Ratos urgem o verão

com seus roídos

(estilhaçam qualquer silêncio)

que alastram

de pequenos tumultos

a solidão da cozinha

(e as minúcias silenciosas das dispensas)

que vara a madrugada humana.

 

Seus dentes incisos

são parágrafos de pedra

capítulo de albuminas.

 

Suas pequenas (e ágeis) mandíbulas

escassas  e potentes máquinas de ruminação

rasgam os plásticos

e as penínsulas de grãos.

 

Os ratos amam ameixas abertas

e álgebras de estrelas

(além de xadrez de galáxias)

porque são nuas.

 

Se locupletam de dez ruídos

que amordaçam

antes da ruína do queijo.

 

Ratos são como

montanhas parindo

caixas de desejos

e fetos de bolacha

de tão ruidosos

e persistentes.

 

Gravatá, 1999

 

Murilo Gun

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