às baratas do secreno
aos ratos do berco
Ratos urgem o verão
com seus roídos
(estilhaçam qualquer silêncio)
que alastram
de pequenos tumultos
a solidão da cozinha
(e as minúcias silenciosas das dispensas)
que vara a madrugada humana.
Seus dentes incisos
são parágrafos de pedra
capítulo de albuminas.
Suas pequenas (e ágeis) mandíbulas
escassas e potentes máquinas de ruminação
rasgam os plásticos
e as penínsulas de grãos.
Os ratos amam ameixas abertas
e álgebras de estrelas
(além de xadrez de galáxias)
porque são nuas.
Se locupletam de dez ruídos
que amordaçam
antes da ruína do queijo.
Ratos são como
montanhas parindo
caixas de desejos
e fetos de bolacha
de tão ruidosos
e persistentes.
Gravatá, 1999






