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Dom, Abr

destaques
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 Barco sóbrio singra

entre linces adormecidos

e panteras ameríndias.

Advoga gaivotas, ilumina

águas de sua rota ínsita

para a Índia.

 

Ignotas passagens

ao porto das estrelas mais próximas

essa rota atropela.

 

Sua lauda de água transporta

longas sedes e cruzes

ao lodo da identidade.

 

Traz em sua página portulanos

luar e maresia

poluídas dinastias arrevessa.

 

Sem pressa desfia

célicos  alicerces

abôbadas frias.

 

Pétalas, pérolas, porcos

anuncia seu périplo louco

pelo páramo da tinta.

 

A Poetas que marinam em suas folhas

a levas de cais sem melodias

a sais sem unção.

 

A calabouços de sua própria

sinfonia marítima

a cútis bêbada embarcada e máscara.

 

A barca erma sem mar ou rumo

leva loas a luas tranquilas

e cantos de seda a vigílias.

 

Mas não vá além da tapobrana

galeão de palavras ébrias

não ultrapasse horizontes de pedra.

 

O mar estertora, a cólera

das águas picadas te devora

leitor indefeso, náufrago do vivo.

 

O grito caudaloso dos mares

marmóreos condestáveis

escultura teu silêncio ímpio.

 

No golfo de tuas vagas

no barco embriagado de palavras

no convés viaja de carona a história.

 

Das pupilas do tigre, da sombra das panteras

da selva selvagem de tua vida (leoa faminta)

viver a coragem, a loucura do sonho avulta.

 

Não tente ir a nada além

pasárgadas e xangrilás

te são proibidos (leitora).

 

Murilo Gun

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