Barco sóbrio singra
entre linces adormecidos
e panteras ameríndias.
Advoga gaivotas, ilumina
águas de sua rota ínsita
para a Índia.
Ignotas passagens
ao porto das estrelas mais próximas
essa rota atropela.
Sua lauda de água transporta
longas sedes e cruzes
ao lodo da identidade.
Traz em sua página portulanos
luar e maresia
poluídas dinastias arrevessa.
Sem pressa desfia
célicos alicerces
abôbadas frias.
Pétalas, pérolas, porcos
anuncia seu périplo louco
pelo páramo da tinta.
A Poetas que marinam em suas folhas
a levas de cais sem melodias
a sais sem unção.
A calabouços de sua própria
sinfonia marítima
a cútis bêbada embarcada e máscara.
A barca erma sem mar ou rumo
leva loas a luas tranquilas
e cantos de seda a vigílias.
Mas não vá além da tapobrana
galeão de palavras ébrias
não ultrapasse horizontes de pedra.
O mar estertora, a cólera
das águas picadas te devora
leitor indefeso, náufrago do vivo.
O grito caudaloso dos mares
marmóreos condestáveis
escultura teu silêncio ímpio.
No golfo de tuas vagas
no barco embriagado de palavras
no convés viaja de carona a história.
Das pupilas do tigre, da sombra das panteras
da selva selvagem de tua vida (leoa faminta)
viver a coragem, a loucura do sonho avulta.
Não tente ir a nada além
pasárgadas e xangrilás
te são proibidos (leitora).






