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Sáb, Jun

destaques
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Estes ditames são férteis

de sincero chamamento

à consciência vital

(porque não sensibilidade nova)

que permeia terceiro milênio iniciando

(que ativa tal rito)

 

previnem a  peste

da poesia passada

mácula inoculada na alma

firme rebutalho, coisa

 

atendem poetas que rastejam

arrependidos de Hermes

buscando explicar cada página - imagem

esclarecer, explicitar poema

qualquer dúvida ou reflexão eliminar

para facilitar a leitor vão

crassa leitura.

Amém!

 

Estes aqueles que apenas mente

bordejaram inseguros trêmula

verdade poética, poço da vertigem verbal

o fizeram porque

(num paraíso inverso – em verso?)

alcançaram  inferno artificial

da dadivosa dúvida

ser ou não ser moderno.

 

Renderam-se à inebriedade total

ao involuptuoso, invertiginoso estéril

ao mais fácil (e mais popular talvez)

devorados pela sinceridade sóbria

esfinge do parnaso

medusa cujas outras cabeças

é verso de favas contadas

rima dicionarizada.

 

Renderam-se à redenção da rotina

(éden tedioso, sopro de náusea)

não à vertigem da aventura da palavra

pelas inéditas paragens do papel e da alma

pelos crus brancos das páginas

da veia do verbo, viver verbal

do tempo d’agora primal

incursão do espírito

pela palavra verdadeira

(poética neoposmoderna)

 tão válida e forte quanto a religiosa).

 

Poetas teimam no ahermetismo fanático

primam facilitar leitor

mastigando o verbo

com intuito probo (mas idiota)

para plena absoluta

digestão de leitor facilitar

 

declinaram da embriaguez intelectual

movida a uva, papoula e cânhamo

espirituais

 

amesquinharam-se apenas

negando a si e a outro

êxtase que verbo permita, conceda

 

renunciaram somente

a ser um baudelaire mergulhado

no vinho do verbo

no ópio completo da palavra

no inteiro haxixe da imaginação.

 

Murilo Gun

 
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