ao Rogério Generoso
o de Através
Aqui começa a decomposição do poeta
pútrida erosão de suas rimas (árticas)
e odor malévolo das sextinas rústicas
se espraiam como infecção galopante
pelas raias do intestino (diverticulítico)
pelos lombos do tomo, pelos vales da página
se espalha como água que onda transporta
narinas da estrofe tumefacta
aqui começa torneio cruel
e infrutífera queda das metáforas
vitória grotesca da metafísica da carne
aqui começa iodada e ininterrupta
(porque perpétua, invencível)
putrefação dos eruditos (e suas graxas retóricas)
chama que devora seus lipídios sábios
purifica as estações do inferno (Rimbaud que o diga)
aqui começa o miasma, aqui rosna o bafio
agora esplende ridicularmente límpida
de seus compêndios finitos a obra completa do aborto
aqui começa a imersa, intermitente, prodigiosa
dissolução dos sais que iludiram poetas
aqui agora o invicto verme finca sua bandeira
mórbida, asséptica, vitoriosa sob gozo
dos sábados apaniguados, das datas servos escassos
aqui desponta o ouro coagulado
de seus gestos indádivos, aqui
começa o fim da comédia
(da vida pobre escrita)
aqui a cena agoniza
o espetáculo estertora
a comédia da vida
último e probo ato empreende
aqui, agora, a chama é estuprada
e tudo regozija (e degenera)
e o nada se declara
a decomposição do poeta é integral, ininterrupta
vitoriosa, enfim.
Aqui vocifera inútil
tentativa de ser próspero
aqui vale o abismo
como moeda de troca.






