06
Seg, Abr

destaques
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No poço carcaça de uma condessa

espáduas de duques na sarjeta

tripas de condes corvos satisfeitos

da pira grita brilho exausto de comendas

em gusa arde chusma esclerosada

de brasões envilecendo.

 

Sal da glória na ferida de heróis

busca guarida, pus floresce da esperança

convulsiona víscera  a tensão dos feitos

bélicos que tumefacta coroa alberga

láurea de vencedores se degenera em bosta crua

(e válida ou veludosa, intestinal ou política)

areia desmorona a desmemória, agonizam

grilhões, sedentos dissabores satisfazem-se com a dor (insípida)

reis decadentes incendeiam égides (com piras de majestades)

ilusão de seus reinados ajoelha-se à verdade

condes suicidam-se inapelavelmente com brocados frios

à margem incinerada de seus dolorosos condados.

 

Nas fumegante aras a incógnitos deuses sacrifico

libo e hinos arranjo para que meu mundo não caia.

 

Murilo Gun

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