venho a teu silêncio (vinho)
cúmplice do grito e da rosa
ao martelo das vogais oponho
buril do céu, tachas de Cristo
murmúrio da fonte vital acolho
do reino da palavra servo
A cúria toda ressoa
de jogos obscenos
de vermelhos supremos
lascivas mitras amalgamam-se
com paramentos ímpios odeiam-se
medalhões úmidos do lodo
dos leitos cardinalícios
do papa assassinado
(pelo santo?)
(Que cúrias metropolitanas
me perdoem
poético pecado).
Da corte orgiástica (e solene)
erguem-se dedos lúbricos (atentos)
a debulharem crucifixos cínicos e mamilos.
Dos jardins nobiliárquicos do clero
florescem histriões
com seus serviços bordados
e sais corteses (vasos incompletos de preces)
enquanto poetas à mingua clamam
por ouvidos ou alhos inteiros.
Gravatá, 2005/2006.






