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Dom, Abr

destaques
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  o vaso da alma, da veia, da lua

 não há sede que encha ou desejo vença

à desolada lua cão uiva, o canto pela rua deserta derrama-se

aliciando gatos sob céu vagaroso.

 

juventude possuiu-me por alguns desvairados segundos

 

à volúpia elevei muros, represei-me, fugi

 

lábios de sede nunca deveriam morrer

 

à ilusa beira das águas não há salvação para lábios

 

fervorosa saliva incendeia

 

de inesgotáveis insônias farto o amor

 

febre é tudo o que desejo, febre do desejo aplacado

com rações de volúpias aviltadas

 

deixa à deriva meus sentidos, que cansaço os persiga

urda lençol devasso, grunham de lassidão leitos

revelem a ambigüidade de todos os desejos

decifrem sede que embriaga lábios

 

da lasciva manhã verte-se noturna mácula dos licores

 

horas difíceis, apressadas, amorosas não têm nome

preço, perdão, lampejo de salvação, absolvição culpada

juventude escorre como mel, doce e rápida torrente

que ardilosos lábios recolhem para vômito, exame

de carniças francesas, albatrozes sem horizontes

rimbaudeando pelos mares da palavra

buscando solfejos para o canto da náusea

 

vida, anônima vida, escoadouro de horas, saciação de desejos

sensações desesperadas, tempo pouco para apaziguar o corpo

 

de pequenas mortes vive o amor.

 

                                        Estes cadinhos do desejo ofereço

                                        a Gide, filósofo da volúpia

                                        e Hafiz, místico azul

 

                                        e a Jomard Muniz de Brito setentífero

                                        e a Paulo (mago) Bruscky

Murilo Gun

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