o vaso da alma, da veia, da lua
não há sede que encha ou desejo vença
à desolada lua cão uiva, o canto pela rua deserta derrama-se
aliciando gatos sob céu vagaroso.
juventude possuiu-me por alguns desvairados segundos
à volúpia elevei muros, represei-me, fugi
lábios de sede nunca deveriam morrer
à ilusa beira das águas não há salvação para lábios
fervorosa saliva incendeia
de inesgotáveis insônias farto o amor
febre é tudo o que desejo, febre do desejo aplacado
com rações de volúpias aviltadas
deixa à deriva meus sentidos, que cansaço os persiga
urda lençol devasso, grunham de lassidão leitos
revelem a ambigüidade de todos os desejos
decifrem sede que embriaga lábios
da lasciva manhã verte-se noturna mácula dos licores
horas difíceis, apressadas, amorosas não têm nome
preço, perdão, lampejo de salvação, absolvição culpada
juventude escorre como mel, doce e rápida torrente
que ardilosos lábios recolhem para vômito, exame
de carniças francesas, albatrozes sem horizontes
rimbaudeando pelos mares da palavra
buscando solfejos para o canto da náusea
vida, anônima vida, escoadouro de horas, saciação de desejos
sensações desesperadas, tempo pouco para apaziguar o corpo
de pequenas mortes vive o amor.
Estes cadinhos do desejo ofereço
a Gide, filósofo da volúpia
e Hafiz, místico azul
e a Jomard Muniz de Brito setentífero
e a Paulo (mago) Bruscky






