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Dom, Abr

destaques
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                 (este poema francês lê quer o coração)

 Congela ao vivo a própria sombra

é polar, iminente, matemática

além de milimétrica adunca

 

         (Além de operosa eficaz

         e assídua não permite

         que lhe revelem os trâmites

         e as estâncias dos seus pagos longes)

 

         (Dela ninguém volta

         e a revolta empilha).

 

Se estremecem os ciprestes

algum coelho ela recolheu

(ao seu casulo feio)

ou pássaros revoluteiam

em seus frios espaços

- as asas sequestradas

pelo ilimite do desespero

mas os aprestos sempre prontos.

 

(E a cobiça em riste

pela alma viva).

 

Seu aprisco é revoltante e infinito (ou mesmo ínfimo).

 

Se não há vagas para anjos

(ou se a fila demoníaca desespera)

nem baixa da legião dos santos

por que me chamaste, cruel criador?

 

Túmulo não é lugar de encontro (encanto)

não há praças nesse frio mundo (e surdo)

(bancos só para óbolos velhos)

nem comício para cadáveres

(marciais ou místicos)

afora meras orações célicas

(ainda com saliva de anjos pendurada)

derramadas de algum superior lábio (ou vaso bento).

Ou orações vindas da sanha do Senhor

(postura confidencial  inconfidencial

face o confim de onde advém).

 

Sobre dura pedra velho ódio goteja

poreja ressentimento enrugado

ira antiga fervilha

                   sobre mesa morta

florido funeral logo aplaca

cólera ou lamento solta

último suspiro a porta

(que de tão estreita morre

sem o fôlego da passagem aborta

- e Gide só olha)

 

Enfim a eminência é vital

e poderosa

                   não gosta de cautela

inventa acasos

                   adora venturas (a)variadas

vive de esquemas sem saída

de labirintos cegos, moedas falsas, pastorais fervores

tem a seu favor e serviço sincero

exército de vermes

                            alguns metafísicos

todos envolvidos em seu manto eminente

o terreno ofício devorador e insano vivendo.

 

                                                          A Menalque e Natanael

                                                Paris, 1988.

Murilo Gun

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