(este poema francês lê quer o coração)
Congela ao vivo a própria sombra
é polar, iminente, matemática
além de milimétrica adunca
(Além de operosa eficaz
e assídua não permite
que lhe revelem os trâmites
e as estâncias dos seus pagos longes)
(Dela ninguém volta
e a revolta empilha).
Se estremecem os ciprestes
algum coelho ela recolheu
(ao seu casulo feio)
ou pássaros revoluteiam
em seus frios espaços
- as asas sequestradas
pelo ilimite do desespero
mas os aprestos sempre prontos.
(E a cobiça em riste
pela alma viva).
Seu aprisco é revoltante e infinito (ou mesmo ínfimo).
Se não há vagas para anjos
(ou se a fila demoníaca desespera)
nem baixa da legião dos santos
por que me chamaste, cruel criador?
Túmulo não é lugar de encontro (encanto)
não há praças nesse frio mundo (e surdo)
(bancos só para óbolos velhos)
nem comício para cadáveres
(marciais ou místicos)
afora meras orações célicas
(ainda com saliva de anjos pendurada)
derramadas de algum superior lábio (ou vaso bento).
Ou orações vindas da sanha do Senhor
(postura confidencial inconfidencial
face o confim de onde advém).
Sobre dura pedra velho ódio goteja
poreja ressentimento enrugado
ira antiga fervilha
sobre mesa morta
florido funeral logo aplaca
cólera ou lamento solta
último suspiro a porta
(que de tão estreita morre
sem o fôlego da passagem aborta
- e Gide só olha)
Enfim a eminência é vital
e poderosa
não gosta de cautela
inventa acasos
adora venturas (a)variadas
vive de esquemas sem saída
de labirintos cegos, moedas falsas, pastorais fervores
tem a seu favor e serviço sincero
exército de vermes
alguns metafísicos
todos envolvidos em seu manto eminente
o terreno ofício devorador e insano vivendo.
A Menalque e Natanael
Paris, 1988.






