Ele participa com máscaras e fermentos
da vida
e do vigor desse jogo absorto e imaginário
portanto vil
chamado poesia
vem a dor do ver assim o mundo
(de cabeça para baixo a pútrida
palavra que o mascara)
ele se orgulha
de possuir o mais perigoso dos dons
(e o mais inocente dos ofícios ósseos do espírito)
dono que é de bens impunes (e herdados)
persistentes, inesgotáveis
do espólio da palavra
ele sente a profundidade antiga
(e a profanidade viva)
do insumo que ao ente do sonho assedia
ele sente
o que o ilumina
de ilimitadas ilusões
ele é o coração da verdade e sua vítima: poeta.






