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EDITORIAL ABSOLUTO PARA O JORNAL O MONITOR

Quanto à questão prenhe de corrupção e desmando da filial suíça do banco inglês HSBC, O Monitor antecipou, desde outubro de 2014, o problema grave, com a matéria: Édens fraudulentos (colhida do jornal El País). A pedido dos leitores, republicaremos o texto.

A atualidade do fato é que a Policia Federal e a Procuradoria da República vão investigar os milhares de brasileiros que têm contas no HSBC, tendo sido criada, no Senado Federal, por iniciativa do garanhuense Randolfe Rodrigues, a CPI do HSBC (que dificilmente irá à frente, posto tratar-se de matéria séria que envolve magnatas sonegadores e políticos realmente corruptos).

 

A iniciativa dos jornalistas europeus, há cerca de 4 anos de existência pública, não comoveu a (dura ou capciosa) mídia brasileira. Só Mino Carta falou do assunto. E o Monitor.

Agora, com a publicação de novos dados, a nível mundial, e oficializado o fato, envolvendo o HSBC, é que a vagarosa mídia brasileira acordou. São perto ou mais de 8 mil brasileiros, com fundos no banco furado, alcançando cifra de cerca de 7 bilhões de reais (inclusive, quem sabe? de donos de TV e jornal, além de “políticos”).

Há potencial de escândalo tão grande como o da Petrobrás, isso se a CPI andar, o que é difícil, enfatizamos, pois, entre os 8 mil sonegadores brasileiros, deve estar gente graúda e protegida.

Graças ao Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, veio à tona, com dados irrefutáveis, a ponta do iceberg, listando-se o nome de mais de 100 mil magnatas (sonegadores e cia), entre os quais 8 mil brasileiros (ricos). Aposto que nem um só bolsa-família consta da lista brasileira.

Eis o tema de hoje. Tudo isso advém do caixa 2, invenção bem brasileira. Esse caixa 2 é amplo, farto, cabe tudo. Resultado de sonegação, de produto de corrupção, propina, desvio de verba pública, o diabo a quatro (ou cinco).

E o principal vilão, a origem de tudo é o tal de financiamento por empresas privadas de campanha de deputados, vereadores, senadores, prefeitos, presidentes e governadores.

O triste baixo clero do Congresso, formado por um contingente de quase 2/3 dos Deputados Federais, exclusivamente eleitos via financiamento de empresários, atua apenas como representantes de si mesmos e das empresas que financiaram suas campanhas para obtenção dos votos. Então, o compromisso é com elas, eles (os do baixo clero) as representam politicamente (aos empresários que deram o dinheiro).

O nó górdio é o financiamento dos políticos pelas empresas. Esta é a origem da corrupção, de todos os males da política brasileira. Cortou esse nó, desata tudo. Sem dinheiro fácil, cerca de 300 deputados federais nem ao menos se candidatariam. A motivação goraria. Não haveria mais cifra de razão para ser candidato, nem objetivo. Defender causas públicas jamais. Só defendem a “causa deles mesmos”.

Por que se elegeram Severino Cavalcanti e o atual Cunha? Porque o baixo clero é unido pelos elos dos cifrões e são a maioria os deputados baixocleristas. Então impõem. Imaginem Severino Cavalcanti Presidente da Câmara Federal, só um desvario total do imaginário possibilitaria tal situação... e isto ocorreu. É o que aconteceu. Agora, aprovaram o orçamento impositivo para eles. O dinheiro da saúde e educação não é impositivo, mas as verbas (os milhões e milhões de reais) dos parlamentares é como dinheiro no bolso. Previu no orçamento. Tá na carteira. Além de outras mordomias mais mordômicas ainda. É o lobo tomando conta do galinheiro. E nós somos todos eleitores-galinhas. Que o Galo Cunha  faça o que entenda.

A principal luta do Povo Brasileiro é demolir essa vergonha: o financiamento particular, sem limite, privado (Caixa 2). E precisamos levar à frente  esse processo, essa reivindicação, ir para as ruas derrubar a sistemática de dinheirama derramando-se nos bolsos dos candidatos por empresas, que apenas estão adiantando o dinheiro que receberão de volta do “congressista”. Isso, em lugar de idiotamente ir a manifestações, alienadamente postar-se nas praças públicas, com smartphones na mão, pedindo a volta da ditadura.

O benemérito (para os corruptos) Caixa 2 é, no Brasil, já uma instituição republicana, sem ele, como viveriam políticos e empresários mancomunados com o binômio sonegação/corrupção, isto é, não pagamento de impostos e desvio de dinheiro público, aos montes (ou cifras), desvio de impostos pagos pelos honestos empresários.

O tal Caixa 2 é alimentado, em primeira mão e última instância, pela corrupção, via que é propiciada pelo financiamento privado das eleições.

Os milhões gastos nem 10% são cobertos pelo salário e mordomia. Então essa dinheirama, injetada pelos empresários incívicos, é recuperada somente pela viés ou via da corrupção generalizada. Quantos bilhões são surrupiados semanalmente pelas “dinâmicas” prefeituras brasileiras. E quanto maior o município, maior o desvio de verbas. O que é triste.

Caixa 2 também é o do banco suíço do grupo HSBC, sendo que é um caixão, pois abriga quase 9 bilhões de dólares brasileiros, em que seu interior.

E é composta por mais de 8 mil caixinhas 2, que é o número de brasileiros sonegadores e corruptos, que se situam entre os mais de 100 mil magnatas que forma a lista do HSBC suíço.

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Murilo Gun

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