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Dom, Nov

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Serventia de estátua: wc de pombos  e abrigo de lodo iodado construído, úmido.

Além de parecer pouco com o estatuído. Serve também para logo esquecer alguma possível façanha do melancólico e solitário esculpido (e condecorado com fezes de pássaro), cujo rosto (?) já é esfingético, porque não dura dois ventos.

Toda (e qualquer que seja) estátua mostra de frente (além da traseira do homem) como somos fugazes (animais, de frágil e volúvel sentimento). Empedrados o nome e o cenho (franzido e fingido)... e só. E as devocionárias? Quantos deuses, de que o escupro aprimorou o rosto e o cinzel, músculos e sulcos delineou, no corpo de mármor ferrenho?

A alma escavada na pedra (ou escandida no próprio granito) grotesca e inocentemente, pela mão trêmula do escultor passageiro.

Quantos deuses tão honrados e venerados em absoluto não morreram, sumiram, encantaram-se para que artistas temerários os eternizassem quase divinamente? Quanto da bíblia e dos homens do prélio da crença Michelângelo realizou, expôs, decifrou?

Só na velha (e veneranda) Grécia (de que Marx destacou – contra suas ideias de transformas o eterno valor da arte grega) ocorreu o genocídio de deuses eternos (deicídios de titãs, olímpicos, heróis velozes, artistas invencíveis) etecéteras.

Sob o terror ou o temor da reverência, divas estátuas foram esburacadas pelas horas; apodreceram nos vãos da história. Que os bárbaros revividos no terror islâmico idiotamente reproduzem.

A começar pela Esfinge (misteriosa anciã de pedra e nariz derruído). Dela, disse Thomas Mann: junto ao deserto líbio, próximo de Mênfis (quase perto do porto da eternidade, diria VCA), erigia-se, esculpido em rocha plana, marinha, o colosso de 53 metros de altura, o híbrido par de leão e virgem, fera com peitos de mulher e garras gigantescas de felino estendidas, e nariz roído pelos ratos intangíveis do tempo. Ou ratazanas do implacável vento egípcio, completo eu.

Tutmés IV, o poderoso Touro que submeteu o alto e o baixo Nilo,  ordenou desenterrar a senecta Esfinge (que as areias do tempo devoraram), inumada no pó deserto. 1.500 anos antes, Quéops, da 4ª dinastia, construiu a grande pirâmide para ser seu majestoso e indestrutível (e formoso) sepulcro e oferecer sacrifícios ou majestade à já esfinge de cascalho marinho arruinada

Esta crônica  bendita, bem ou maldiz da história (ou trajetória) humana e concerne aos tempos áureos da humanidade (hoje tão desumana), em que pontificaram faraós, deuses, imperadores, artistas, dramaturgos inalcançáveis.

De quem magnatas (falidos e ávidos de usura) não seguem sequer o deserto rastro.

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Murilo Gun

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