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Qui, Jul

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Este livro levará o leitor às delicadas minudências e aos sérios questionamentos históricos dos primeiros cem anos de Pernambuco.

Seu narrador, o general Matias de Albuquerque, assume a missão de salvaguardar a memória da terra amada. Preocupa- se com o  julgamento da posteridade, sabedor das distorções que povoam as versões oficiais escritas a soldo dos governantes. Fatos enganosos que aderem – ao modo das ostras e corais – a escombros há muito submersos.

 

O tom lírico e intimista das primeiras falas vai dando lugar a uma narração precisa e objetiva. Frases curtas. Uma pontuação que impõe ritmo e musicalidade ao texto, permitindo que as descrições de batalhas ou citações seiscentistas sejam lidas com fluência e prazer. A história de nosso narrador desenrola-se com ordenação cronológica desde a fundação de Pernambuco por seu avô Duarte Coelho. Em Olinda nascem os meninos Duarte e Jorge de Albuquerque. Quando o velho fidalgo viaja para a Corte, eles o acompanham. Os jovens retornam à donataria atendendo ao apelo da mãe, dona Brites de Albuquerque. Participam das lutas contra os Caetés, fixando residência em Olinda por cerca de cinco anos.

O retorno de Jorge de Albuquerque a Lisboa se faz em uma viagem estranhamente desastrada. Inicia-se sua trágica história pessoal. A guerra contra os mouros, comandada por Dom Sebastião, transforma-se no ponto crucial da tragédia que se desencadeia. Jorge, aleijado e doente, tenta garantir sua sucessão. A primeira esposa falece sem lhe dar filhos. Sua segunda mulher, Ana de Redondo, dá a luz a Duarte de Albuquerque e a Paulo (1595).  Ela falece  pouco depois. A morte de Jorge deixa os filhos pequenos em total orfandade. Com a recomendação testamentária de que sua tutela seja exercida por seu primo Matias de Albuquerque, o 15º vice-rei da Índia. Paulo passa a usar o nome do tutor. Nasce nosso herói Matias de Albuquerque, o pernambucano.

Magricela desde menino cumpriu seu duro serviço militar na África. Mais magro ainda, antes que lhe engrossasse a barba assumiu o Governo de Pernambuco. Entre 1620 e 1627. Em 1629 teve de retornar ao Brasil. Anunciava-se a invasão holandesa que, de fato, ocorre em 1630. Comandou as guerras de resistência ao invasor com a teimosia e seriedade que o caracterizava. Dedicou a Pernambuco os melhores anos de sua juventude. Entre a escassez de alimentos e os ataques de malária. A alma em riste, o comando pronto, a decisão tomada. Os olhos capiongos.

Sua narrativa inicia-se em seu leito de morte (1647). A ouvinte, sua mulher dona Catarina Bárbara de Noronha, condessa de Alegrete e Marquesa de Alenquer. Uma jovem de extraordinária sensibilidade e fiel admiradora dos feitos do marido. Dedica-se ao cultivo de suas memórias com inesgotável entusiasmo. Sua entrada em cena enche o ambiente com uma aragem de doçura e carinho. Um raro momento de felicidade na árdua vida do general Matias de Albuquerque.

Maria Cristina Cavalcanti de Albuquerque é pernambucana, psiquiatra, historiadora e romancista. Ex-presidente e sócia efetiva do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano. Escreveu: O Magnificat – Memórias diacrônicas de dona Isabel Cavalcanti (Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro, 1990), Luz do abismo (Edições Bagaço, Recife, 1996), Príncipe e Corsário (A Girafa, São Paulo, 2005), Luz do abismo, 2ª.edição (Girafa, São Paulo, 2005),  Jean Maurice de Nassau – Prince et Corsaire ( L´Harmattan, Paris, 2005); Memórias de Isabel Cavalcanti, 2ª. edição revista (Edições Bagaço, Recife, 2006) e Olhos Negros (Edições Bagaço, Recife, 2010).

(4ª página )

“Todos os personagens deste livro tiveram existência real“, o que não impede que tenham, no romance, existência fictícia. É, claro está, o problema central do romance histórico: para ser verossímil e organicamente homogêneo, é preciso tornar reais os personagens fictícios, fazendo, em contrapartida, fictícios os personagens reais. Arte em que Maria Cristina é um dos nossos grandes mestres.”

Wilson Martins. Jornal “O Globo”. Prosa & Verso, 16.10.2004).

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Murilo Gun

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