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Vital Corrêa de Araújo

A prosa, a forma literária ficção, narrativa sobre a vida, o homem, a sociedade, o mundo, diz respeito ao ser, não em si, mas na situação do e com o outro.

Visa à comunidade do corpo. Enquanto que a poesia leva à comunidade da alma. Daí, o fundo filosófico mais profundo, o esteio moral – no sentido não sociológico – do poema em relação ao texto em prosa ficcional.

 

O debate, que envolve a questão poesia, desde A república, de Platão, recai no caráter do poético, isto é, se a poesia instrui, representa a verdade, ou só deleita e comove.

Aristóteles, na Poética (350 anos da era antes de Cristo), afirma que a poesia tem a cordialidade ou capacidade de apresentar as realidades universais, traz em si o complexo que envolve a ação humana em sua variada nuance desde a felicidade à miséria. E que “a poesia é algo de mais filosófico e mais sério do que a história, pois refere aquela o universal, e esta o particular”.

Para Dante Alighiere (mil e seiscentos anos após o peripatético), a poesia é responsável pela elevação do homem do estágio da dor ao estado extático.

Na Renascença, Sir Philip Sidney em sua obra Apologia da poesia (que Shelley ampliou) afirma que as imagens poéticas têm a capacidade de tocar nossos corações e nos mover para a ação moral, desse modo amplificando o conceito de catarse aristotélico. Isto é, a poesia vai além das abstrações filosóficas.

Sócrates defende – em A república, através do alterego Platão- que a mimese poética está triplamente distanciada da realidade ideal, concluindo inescapavelmente: os poetas devem ser de imediato banidos da República, por deletérios, anárquicos, ambíguos, sonhadores, utópicos e viscerais. Quem os (nos) expulsou foi Sócrates, portanto.

O que boiou no juízo (de Sócrates via Platão)) foi: como superar os luxos e os excessos (de que poetas são pródigos) no estado ideal (e a paixão, a compaixão, bem como a necessidade catártica)? Para isso foi preciso pensar em (ou um) governo ideal. Sem poetas que saiam do estático (ideal, sóbrio, normal) ao extático, fora de si.

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Murilo Gun

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