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Sáb, Ago

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Amanheci, ontem, com sabor amaro na boca. E, eureca, quero hoje comer cascavel. Lembrei dum amigo da Colina Magano onde moro, ode mora o Castelo que habito (1070 metros acima do mar de Boa Viagem, microclima vital). (Por cima da 87FM e do Monitor que edito).

Fui à caça. I. e., à compra. Encomendei (a um conhecido ofidicófilo de Jupi) a cobra – com bajem e tudo, às 8h; às 16h, recebi-a. E mandei Maria fazer o cozido de cascavel agrestina completo. Ajudei o corte da cabeça – 17cm, presas, apêndices e urnas orgânicas do veneno. E do rabo (fino). E começar o ofidístico ensopado. (Que os ecólogos fanáticos não me ouçam, isto é, leiam).

 

Atendi-me. Regalo de rei.

Desdisse das bondades gastronômicas de Garanhuns? Não. Apenas fui mais caatinguense que agrestinado (por uma vez).

Então, bolei um negócio promissor, logo. Cascavel enlatada (só filé – a terra do meio e espinha dorsal irada). Com ervilha, salsicha, atum, sardinha, milho. Obs: os negócios de fábrica de placa: CUIDADO, CÃO ELETRÔNICO, ÁGUA DE COCO EM PÓ, e calcinhas usadas (17 dias de uso constante por modelos, belas e usadas mulheres), dessa forma e consequência impregnadas de tudo quanto for odor lascivo – e fedor mesmo ou também embaladas cuidadosamente – com luvas, a vácuo. E vendida a dúzias, a fanáticos lascivos e outras coisas mais, apaixonados por tais aromas . Nada funcionou. Não deu lucro. Nem apareceu acionista.

De volta ao almoço substancial: ensopado de cobra sem cabeça. Melíflua música (após o serpentino repasto). Fui ouvir melodias de alho e rótulos que adoro. A sonhar com cebolas roxas e pimenta biquinho bem rosadinha. E alho dourado a azeite de oliva Minos, de Creta – Grécia. Superviagem. Sou assim ainda e assado de o ser.

Não aquele alho falso, branco, chinês gigante. Aquilo não é alho. Para Marco Polo, talvez. Mas aquelo roxo de Casa do Alho, perto da CEAGA.

Também sonhei na sesta da cascavel com a magnificante carne de carneiro assada da Churrascaria do Cemitério (nada de peba, lá). Teju (que come cobra) só em Água Preta, no paraíso de José (Adão) Rodrigues.

Já que estou com a mão na massa, lembrei das catingas (velhos maus odores de fossas estouradas e das roupas dos limpadores), de minha infância. E das gogoias. E tomatinhos miúdos da beira da estrada que colhia para guisar as rolinhas e ribaçãs que eu caçava todo dia (aos 9 anos, das 6 às 18h, de 2ª a 5ª). E emborcava o molhado guisado no prato de cuscus e leite fumegando. As melhores, cerca de 10 a 15, rolinhas em caçava direto do avelós, já escuro. Apenas apanhava-as e punha no bisaco já repleto.

Nota: PapelJornal vai ser uma revista hebdomadária. E conter uma página de crônicas pé-cabeça. Desvairadas. Mas não tão antiecológica como esta. TD.

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Murilo Gun

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