06
Seg, Abr

destaques
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Maculadamente  limpo

(cheio  de mácula  desconsagrada)

pleno  de ovelhas  de estrelas  é o poema vital

antimecânico  par excellence

não gregário,  noturno

incompreensível  (por natureza  e definição)

meio  absurdo,  capaz de abominação

passível  de axiomatizar-se  de súbito

sem  freios  que o definhem

espalhafatoso  e vermelho

impiedoso  com leitor  e inescrutável

é o poema vital  (que  sempre  será).   

 

A Vital  e sua poesia desautomática

amecânica  (embora  anêmica  e transitiva)

ambiambígua,  detratável 

dolicoféfala  e iconoclasta  crua

desacatante,  desfibrada,  invulnerável

(antipoética  e transgeométrica)

indesencandecente,  desarvorada  e sem voragem

tão  ...   adjetiva   ...    não leio.

  

A não ser num  pub íntimo

da rua da Glória  (472) numa  tarde

no bafurinho  de um  happy-hour

(com dose de single  uísque  e cerveja  pálida)

o papo bêbado como o barco de Rimbaud

em  torno cercado do nada da vida

da non-existence  radical  (meio  que solipsista)

cruamente  como um  trago de vida.

Murilo Gun

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