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O uso comum, normal, ordinário, habitual da língua faz-se com que a usemos automaticamente, por hábito. E mesmo inconscientemente, no sentido de reflexo e condicionamento, no sentido pavloviano. (O que é método assaz usado para automatizar de imediato especulador). Facilidade. Aptidão. Habilidade. O que seja comum é geral, fácil. De entender, responder, comunicar.

 

 

Quando a poesia desvia norma comum, produz um desvio de sentido anômalo, opera uma situação estranha à realidade da comunicação cotidiana (leitura de livrinho, de jornal, de revista etc) e brota, acontece um estranhamento tal que elimina leitores em massa. “Que diacho é isso? Que coisa difícil! Cadê a poesia, cadê a rima? Ah, isso não é poesia,é viagem, loucura de palavras. Non sense absoluto. Arre! Vai-te satanás verbal!”

Estranhamos porque saiu da norma, do normal, do vigente vigindo. Do que se espera. Rompeu, vitimou, contradisse as expectativas. (Digo: a poesia é para os não habituados – desautomatizados; para os habituados – automáticos, não é poema.

O processo da arte é efeito do processo de “desautomatização” (do uso automático e carneirinho do código da língua, sem surpresa ou ambigüidades malévolas, ingratas, ruidosas). Daí advém o estranhamento (a que se referia Chklóvsky, como singularização) ou distanciamento que a poesia propicia e exige.

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Murilo Gun

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