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Sáb, Nov

Sobre Poesia Absoluta
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Admmauro Gommes

O “ultrafuturo” é um termo cunhado por VCA, no final de 2014, em um de seus artigos sobre poesia absoluta (Poesia além da mimética), esta que, na opinião dele, é atemporal. O ultrafuturismo, divergente do futurismo de Marinetti, não nega apenas o passado, mas vale-se dele para construir um ponto cardeal, ainda que oposto, sobretudo transpassador de tempos.

 

O futurismo era um presente que apenas apontava para o futuro, encantado com a velocidade das máquinas, em 1909. Pouco mais de um século distantes de nós, os seguidores do italiano Filippo Tommaso Marinetti foram ultrapassados exatamente pela máquina que os encantou, em sua última versão, o computador. Portanto, urgia que se lançasse uma semente bem mais longe, onde as engrenagens industriais não pudessem chegar, no indecifrável e sempre profícuo solo da mente humana. Como se sabe, existe uma capacidade infinita de possibilidades linguísticas a serem estudadas sobre o pensamento e suas formas inusitadas de “escrever” o mundo. É nesse lugar que se encaixará o ultrafuturismo de Vital Corrêa de Araújo. Uma linguagem carregada ao extremo de “ultrassentidos,” desconstrução permanente dos sintagmas verbais. Como ele mesmo afirma, é o “que virá do por vir vindo.”

Com certeza, estamos falando de uma nova revolução da palavra e isso promove uma antecipação anacrônica (no sentido de contrariar o que é cronológico) do pensamento contemporâneo. É como se pudéssemos provar do futuro bem antes que ele nos encontre. O tempo que há de vir, talvez chegue daqui a cinco décadas, mas podemos dizer que ele já se pode acessar no plano da linguagem, obscura para uns, mas disponível para poucos, em forma de poesia absoluta.

Palmares, PE, 11.11.14

Murilo Gun

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