06
Seg, Abr

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Pequenas auroras teus olhos

neles habitando lentos cisnes perdidos

deles luas nascentes brotando inocentes

cujas íris geram estrelas novas.

É teu olhar voo de pássaro amanhecendo.

Me aposso deles astros distantes

flagro fogueiras e ilusões vazias ou azuis.

Neles bebo paisagens e vertigens do paraíso.

Neles piscam ou vagam áridas gemas de luz sem data.

Sei: és de gaivota e açucena

ave de lua, cereal e jasmim.

E trazes no peito pássaros

de voo rosado como romãs.

Sei de todas as geometrias do teu olhar

enraizado no vitral do amanhã

sei das macias geografias do teu ventre

(ao sul dele está o porto do meu falo).

Sei de todas as nuas fragrâncias do desejo

o ápice do êxtase nele habita.

Mas não sei de teus sais azuis.

Dusseldorf, 2001

Murilo Gun

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