06
Seg, Abr

destaques
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Sábio fende com fachos fúteis ou anchos

tendas (vazias?) do ignoto

com afinco extingue vestidos do obtuso

e é quem com peixes raros fere

dos mares incultos redes do inútil

e lança do obscuro tímpano

luz que o revela (de orelha a orelha)

como desnuda relâmpago olho da pedra.

 

Sábio com tochas destras arrosta arcanos

e oferece sombra das entranhas

ao vago sol das artérias nuas

coabitadas do azul que hemácias deixam

nos muros marinhos onde

gota de luz vaza como seiva

que o lume acalma (ou o ralo ganha).

 

(Lâmpada sinistra válvula ao coração endireita).

 

 

Note bene: Não procure sentido gramatical ou lógico, entendimento

corrente, coerência sintática, exatidão de linguagem, enredo, coisa

dada, certeza num poema vital.

 

 Não é o alento, é o árduo

não o intenso mas o cerrado (não a caatinga ou o cardo)

que adenso com sábia palavra

e frágil luz de sangue pensa.

Não escravo, senhor libertado.

 

(pós-epígrafe)

         do gusano ao querubim

         é a mesma coisa, dista

o mesmo instante, corre

o mesmo risco

(qualquer traço da alma humana)

a mesma metafísica

ronda a realidade

 

sob tabernáculo das estrelas

coisas uivem-se

sob dados da mão de Deus

cego jogo segue.

 

                                                   2005

Murilo Gun

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