Ruge o céu. Vermes audazes
rondam o infinito.
Sombra de um bombardeio atordoa anjos
alma de cimento das crianças
no silêncio de aço trancafiada
confiada ao desalento de uma trapaça.
Medo rasteja. Dor
brilha em cada rosto que reste
depois da lágrima.
Inocentes no sono de basalto
sonham com vilezas.
Dos estratos do ar poreja
avião terrível abre útero de bombas
ventre severo e insone
despedaça homens.
Grãos se assustam. Treme erva.
Mulheres vomitam náusea e prece.
Cães enlouquecem.
Girassóis quedam-se. Flores
se suicidam. Cálice se locupleta
de cicuta e alicates.
Em agonia desfilam pássaros, lilazes e crianças.
Após orgia da terra vicejam
osso e peste. Em cada
cratera suprema alguns deus sagra, supura
fel que destina ao lábio vil da criatura.






