a um trago de single single
Do copo de uísque a meio
(duelo de água e malte) florescem cravos
e rosas sem ânimo, flores estéreis
do iluminado cálice dos teus lábios pálidos
(que silêncio habita de parede e treva).
Como sal e arruinado sol
estou escuro em meio
à brancura ímpia do abandono.
Viola estiolada, urge derramando-se
da boca dos incêndios sou eu
ouro carnívoro devorado
como hóstia de mentiras
(e falsos desvelos)
a beira da verdade é escura, seu fundo sem fim.
(O ou(t)ro é o inferno de prata)
Força motriz do sal na veia
e do silêncio na alma
me movem ao nada de mim
máquina de vital desânimo
crucial mecânica do espírito viva
luz apunhalada de escura máscara
som abisso, canção violada pelos olhos d’água
marca de coleira férrea da alma
de quem foge da cruz do destino (para o cravo íntimo).
O aroma morreu, o que restou de ti
foi um rastro indeciso (ou falso)
de dor acelerando-se (celeuma cordial)
como pegada monstruosa da vida
indiciando o caminho para o fim exato.
(07/10/2011)
Meus dedos vazados de nada
por entre eles escorre náusea
minhas mãos no patíbulo da prece eretas
em pose de oráculo ou mártir o corpo
a voz inveludosa lacerada pelo letal açoite do silêncio
(de alumínio, lentilha
do átrio da boca pendendo como lombriga do ânus e mácula metálica)
a migalha de uma ladainha
que o lábio despeja com restos de beijo (e vômito avulso).
Da tribuna do crepúsculo a alma implora
mais escuro
a vida perora
a hora o sino escora
em favor da morte eloqüente
procrastina a dor, se rebela
contra selvagem disposição do ânimo
em desfazer o poema consentido
de dar à palavra tino.






