A coluna vertebral de abril cruelmente afetada pela horda de fractais insones debruçados como cornucópia sobre o calendário nu num bar defronte entre sonolentos poliedros três geometrias bêbadas conversavam com uma velha hipotenusa junto a decrépito ângulo agudo e súplices violetas arremessadas de vasos sonâmbulos por vândalos madrigais ressentidos, à sombra de juízos os impunes clarões e injustos decretos embriagando-se sob impulso de capiteis intensos o balaústre de caules de junco e tigres elegantes a perambular por jaulas de arcos atarracados e tijolos altos.

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Ao barqueiro Caronte e alfandegário banqueiro de óbolos sublinguais

moeda sombria que ele extraía

da boca não mais úmida dos mortos

como dente, passaporte, pagamento

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VITAL CORRÊA DE ARAÚJO (VCA)

         A depressão política – e os abortos econômicos – que infelicitaram (e ainda tristemente o fazem), desde 1822, e que nos apequenam tanto (como americanos e latinoamericanos), tem suas muitas (e razoáveis) razões.

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VCA

Beleza é Verdade. Verdade é Beleza. Poesia é verdade. Goethe e Keats. Quanto mais se adentre na beleza, mais faça sua, mais submirja a vida e a veia na beleza, mais se acerca da realidade real – e se afasta da mera aparência. Fuja do simulacro das coisas e dos homens (nunca desmascarados), mergulhe na Poesia Absoluta.

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Poesia é desejo de palavras. Algo imissível com a vida banal – aquela de todo dia, o dia todo. Certinha... e ...

             E, como não se mede o desejo (mesmo o verbal), ele não tem limites. Tem, sim, ilimites.

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VITAL CORRÊA DE ARAÚJO (VCA)

             Em termos energéticos não fisiologicamente considerado, porém na possível conotação filosófica da energia), pode-se dizer que o leitor da poesia impregna-se de intenso esforço na leitura crítica do poema com o objetivo de extrair (e a ele transmitir) da obra poética toda a energia filológica ou lírica,

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O sopro já exilado da criatura, pela gravata que o semelhante lhe aplicara pendurado, balança de nó cego o corpo sem ânimo oscilando, pêndulo crasso, logo desceram o enforcado do patíbulo e sobre o peito de madeira (estrado) da melhor lei do homem, inane, o depuseram, os olhos já mortos, apagados, não tinham ainda perdido o brilho antigo, vital.

Não que um perdido brilho qualquer, traço do lampejo extinto, risco de relâmpago na órbita triste cavalgasse, ainda, mas de lá erguia-se fulgor incomum ofuscando o sol daquele meio-dia brutal e justo.

Depressa, mais que depressa, o carrasco fechou – como num passe, ato quase automático, reflexo servil – os olhos ainda abertos e insistentes do defunto, que insistiam em luzir, como se deles brotassem estrelas.

Tratou o eficientísissimo verdugo, de tanta experiência feito e de feitos extremos acostumado, de fechar, lacrar, vendar, parar aquela janela pela qual a alma da luz debruçada teimava saltar.

Fonte de claridade, espelho, belvedere, passagem, presente, o olho, agora passado, gema mórbida, infrutífera, a causar espanto, amedrontamento constrangedor e impróprio exemplo para os enforcados, frutos da lei pública. Por isso, o gesto estanque e certeiro do servidor atento em baixar a pálpebra já fúnebre, e o olhar morto encerrar em seu próprio domínio, o das sombras, o do confim atro.

No entanto, os espectadores do infausto mas incitante e sedutor espetáculo da lei do homem se fazendo no palco do patíbulo na praça pública erguido, e orgulhoso, os presentes testemunhas da trágica cerimônia que o direito penal impunha, tinham-se apercebido do fulgor imortal – e esquivo ou inapropriado – emerso da fonte morta da luz enforcada... e baixaram (todos e instantâneos) as pálpebras como se cerrassem o pano da treva no teatro da vida, como se temessem insólita tempestade de candelabros sobre seus rostos escuros, face de pez.

Nesse momento cego, o sol rastejou pelo chão da rua como um mendigo iluminado, uma estrela pousou por instantes na calçada e, ao rés do chão, entre os bancos da praça, vicejou um grito de arame, a forca deu frutos brancos,floresceu o tablado de tristeza insistente, o tempo moveu-se como um corpo de barro, algo dentro de uma caixa, que uma Pandora desatenta de novo esquecera, aberta ao mundo.

Como ninguém tinha os olhos abertos,todos recusando, em uníssono escuro, ver a verdade, nunca foi possível comprovar-se, registrar na história da comunidade o fato inusitado, miraculoso, infinito, mas na memória do povo aquele feito ficou marcado, de certo modo, e o enforcado fincou-se na lembrança aldeã como o morto de olhos estrelados.

 

 

 

 

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Murilo Gun

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