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Dom, Maio

Tacham os tais reacionários atuais Mário de Andrade, chefe do modernismo radical (ora de 1922 originou-se, brotou o único modernismo), quando na realidade Mário de Andrade foi corifeu do modernismo real, ultrajado, vilipendiado, combatido, desde o início e continuamente pelos que o não aceitavam, até enfraquecê-lo, dividi-lo, e a partir da Geração 45 derrotá-lo, suprimí-lo.

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Desde que Rimbaud, com o demônio de seus sintagmas, chocou o pensamento lógico enlouquecido pelos “fósforos cantores”, nunca mais um estremecimento lírico deixou de percorrer as vértebras do verbo ou a espinha dorsal da alma do leitor poético.

A catarse ou o desprezo, a unção ou o protesto, o eterno ou o efêmero, a infinitude ou o limite percorrem os espíritos como espinhos de rosa e nunca mais a poesia deixou de ser divina de tanto humana que é desde Rimbaud.

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Moderno não quer dizer originariamente avançado, contemporâneo. Sua derivação latina é outra. Equivalia o conceito ao latim clássico novus. Moderno não é o velho contemporâneo, nem a sobrevivência do antigo, mas o novo.

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Há 130 anos atrás, Nietzsche decretou sem pena (com seu cálamo em riste) a morte de Deus, fato que desencadeou o medo (de morrer também) e a necessidade (urgente) de substituí-lo logo (e Logos) antes que as coisas se complicassem por demais... e esse vácuo primo ( o locus vazio) fosse ocupado (porque o vácuo não dura) por velhos e obstinados demos. E também porque: Deus morto, tudo seria (ou nada seria) permitido. A velha questão, antes meramente jogo abstrato, agora se afiguraria prática... após....

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A Poesia Absoluta – conforme professores e alunos da FAMASUL a consideram, se afigura mais uma poética polifônica que linear, dai a mobilidade de suas formas (tendendo a um mobile de Calder que vi em Veneza, sobre a cama de Peggy Gughaimer). Isso pressupõe também a liberdade de leitura. O leitor é livre para entender, contemplar, usufruir do que leia de poesia absoluta.

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(ou a forma desprovida da ratio artística)

A atividade artística em geral reside e se consubstancia na criação da forma (ou das formas). Exerce-se tal ato no âmbito de um estilo que seja pessoal e irrevogável, mesmo irretratável. E nunca mecânico.

Em poesia, é norma a dissipação, a suspensão e mesmo a privação do sentido. O sentido não dá forma. Vice versa.

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A imaginação é o nome dado à faculdade de ir além das jaulas da razão (que quanto mais bem educada, fincada no espírito, pior). É liberdade liberdade. É ver cada aspecto, cada ângulo, nuance, detalhe inesperado e o todo da coisa, do mundo, de si e do outro, de modo quase exclusivo, peculiar (não pessoal exatamente). Através da imaginação, chega-se facilmente à compreensão melhor do universo, conhece-se melhor e mais detidamente a si mesmo.

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VCA

A liberdade gera o maior rigor, o horizonte mais alto, multiplica a imagem da palavra, potencia o acaso, solta o verbo e contribui para a organização plena do delírio verbal. Ao fazer fermentar o aleatório da palavra na página, esse atanor branco, os microorganismos da liberdade poética infestam o papel que é a alma do verso.

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Primeiro, diferir a linguagem literária da linguagem usada para outros fins. Depois, encontrar a especialidade – e vital autonomia, da Poesia.

A poesia não deve transcender a linguagem, é feita dela.  Prosa precisa ir além, sair, materializar seu objetivo (enredo, intriga, comunicação de discurso) fora da linguagem, do âmbito desta, embora feita dela. A prosa está fora do texto. É o que diga o texto, não ele, ao contrário da poesia. Que é o texto – e não o que dele saia (diga).

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Por razões que nem o coração conheça, uma certa maneira poética voltou à moda no Brasil, após passada, restaurou-se açodadamente e ficou, permaneceuna moda mesmo sem ser moderna, um tipo de novidade anedótica ou uma situação anacrônica aceita em face do despreparo de todo um povo para a literatura (poética). Nisso se revela um traço forte de submissão, de imposição, de motivação ideologia para permanência e triunfo (retriunfo) de uma forma poética cômoda, neutra, afável, “lírica” ou bem liricizada (a diferença v.g. de Augusto dos Anjos), que desarme espíritos, suspenda a evolução, congele o gosto (retroativo), impeça prospecção (via retrospecção atenta).

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Murilo Gun

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