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Dom, Maio

Se a poesia absoluta é atemática, é imateriália. Não é abstrata, sob pena de ser louca, redundante, purononsense, meio decorativa da página, colorífica. Se dispensa o tema, qual o objeto, como substituí-lo? Ao renunciarao sentido, poeta moderno renúncia ao objeto. O objeto do poema não é mais o objeto maternal (material), a descrição, o fato, o aniversário, a queda das torres gêmeas, a enchente, a seca. Algo meramente concreto.

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Palavras agudas, sintagmas esdrúxulos, verbo enlouquecido (vocábulos profundos de cores graves e altas, sílabas se alevantando como bandeiras despregadas). Liames abstratos, laços irredimíveis, desgramaticizados, com nuances de revolucionárias sintaxes. Em suma, palavras em discordância incontida e descontínua harmonia. Algo fulcral. De sentido físico e metafísico simultâneos.

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O que deprime a poesia é a trivialidade do verso. Como se poesia fosse verso (e não anverso). Como se o ato físico (e aritmético) de fazer versos (usando trena, ábaco, cálculo) fosse o poema (a razão de sê-lo).

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Cláudio Veras

O mundo, de fato, é um só, porém sua unidade deve ser encarada como uma disposição (as coisas como são ou como se nos apresentam) e não como um desígnio (as coisas como o eu as distinga, como eus e outros as foquem, como leitor modele, esclareça, aceite, isto é, de modo peculiar).

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A poesia absoluta reivindica um universo de significações e não um sentido único, um mero e simples sentido que justifique o poema (perante leitor fácil ou viciado no facilitário da poesia neoparnasiana ou neorrerparnasianada).

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Poiesis(sentido etimológicoàpoieoo (grego)

significa fazer, fabricar.

A estrutura discursiva da linguagem referencial

(a dos contratos e negócios amorosos ou não)

- que deriva da infraestrutura econômica ou da sobrevida humana

predomina. E contamina (efeito marginal)

a linguagem poética (original). Corrompe. Deturpa.

Só a poesia salva. O ser humano essencial.

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A poesia, como arte humana por excelência, embora autônoma, isto é, como fim em si mesma, é o meio ideal, hábil, mesmo material, de conhecimento universal, interior e inteiro, não segmentado como o das ciências. E esse conhecimento uno e múltiplo é contemplado liricamente.

O poeta tem o dom disso, o dom de se dar-se (o si). Da contemplação do silêncio em que o poema se engaste. A poesia absoluta é a única, até hoje e depois, que propicia uma nova imagem do mundo. É como que uma pintura de palavras recalcificada da erosão (ordinária) do mundo cotidiano.

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A poesia absoluta, cujos delineamentos e primeiras tentativas de conceituação vieram da Alemanha, com o Prof. Cláudio Veras, a que dei continuidade e alimentei com poemas o processo, e o Prof. Admmauro Gommes – da FAMASUL deu coerência final e levou a debate, entre alunos e professores das Faculdades da Mata Sul, não é uma oferta, é uma conquista.

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Cláudio Veras

A ideia de que poema é harmonia, identidade calma, unidade prima é uma droga. Poema é todo, qualquer e nenhum lugar. Poema é antitempo. É não-lugar também. É salto hermenêutico. Quântico-alquímico. Algo sem continuidade prima incoerente ao máximo. Sem mínima regularidade. De ritmo selvagem. Sem nada, nada daquilo que leitor (brasileiro) goste.

 

 

 

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Murilo Gun

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