Primeiro, diferir a linguagem literária da linguagem usada para outros fins. Depois, encontrar a especialidade – e vital autonomia, da Poesia.

A poesia não deve transcender a linguagem, é feita dela.  Prosa precisa ir além, sair, materializar seu objetivo (enredo, intriga, comunicação de discurso) fora da linguagem, do âmbito desta, embora feita dela. A prosa está fora do texto. É o que diga o texto, não ele, ao contrário da poesia. Que é o texto – e não o que dele saia (diga).

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Há 130 anos atrás, Nietzsche decretou sem pena (com seu cálamo em riste) a morte de Deus, fato que desencadeou o medo (de morrer também) e a necessidade (urgente) de substituí-lo logo (e Logos) antes que as coisas se complicassem por demais... e esse vácuo primo ( o locus vazio) fosse ocupado (porque o vácuo não dura) por velhos e obstinados demos. E também porque: Deus morto, tudo seria (ou nada seria) permitido. A velha questão, antes meramente jogo abstrato, agora se afiguraria prática... após....

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Se a poesia absoluta é atemática, é imateriália. Não é abstrata, sob pena de ser louca, redundante, purononsense, meio decorativa da página, colorífica. Se dispensa o tema, qual o objeto, como substituí-lo? Ao renunciarao sentido, poeta moderno renúncia ao objeto. O objeto do poema não é mais o objeto maternal (material), a descrição, o fato, o aniversário, a queda das torres gêmeas, a enchente, a seca. Algo meramente concreto.

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A poesia, como arte humana por excelência, embora autônoma, isto é, como fim em si mesma, é o meio ideal, hábil, mesmo material, de conhecimento universal, interior e inteiro, não segmentado como o das ciências. E esse conhecimento uno e múltiplo é contemplado liricamente.

O poeta tem o dom disso, o dom de se dar-se (o si). Da contemplação do silêncio em que o poema se engaste. A poesia absoluta é a única, até hoje e depois, que propicia uma nova imagem do mundo. É como que uma pintura de palavras recalcificada da erosão (ordinária) do mundo cotidiano.

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A imaginação é o nome dado à faculdade de ir além das jaulas da razão (que quanto mais bem educada, fincada no espírito, pior). É liberdade liberdade. É ver cada aspecto, cada ângulo, nuance, detalhe inesperado e o todo da coisa, do mundo, de si e do outro, de modo quase exclusivo, peculiar (não pessoal exatamente). Através da imaginação, chega-se facilmente à compreensão melhor do universo, conhece-se melhor e mais detidamente a si mesmo.

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Palavras agudas, sintagmas esdrúxulos, verbo enlouquecido (vocábulos profundos de cores graves e altas, sílabas se alevantando como bandeiras despregadas). Liames abstratos, laços irredimíveis, desgramaticizados, com nuances de revolucionárias sintaxes. Em suma, palavras em discordância incontida e descontínua harmonia. Algo fulcral. De sentido físico e metafísico simultâneos.

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O que deprime a poesia é a trivialidade do verso. Como se poesia fosse verso (e não anverso). Como se o ato físico (e aritmético) de fazer versos (usando trena, ábaco, cálculo) fosse o poema (a razão de sê-lo).

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Por razões que nem o coração conheça, uma certa maneira poética voltou à moda no Brasil, após passada, restaurou-se açodadamente e ficou, permaneceuna moda mesmo sem ser moderna, um tipo de novidade anedótica ou uma situação anacrônica aceita em face do despreparo de todo um povo para a literatura (poética). Nisso se revela um traço forte de submissão, de imposição, de motivação ideologia para permanência e triunfo (retriunfo) de uma forma poética cômoda, neutra, afável, “lírica” ou bem liricizada (a diferença v.g. de Augusto dos Anjos), que desarme espíritos, suspenda a evolução, congele o gosto (retroativo), impeça prospecção (via retrospecção atenta).

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A poesia absoluta reivindica um universo de significações e não um sentido único, um mero e simples sentido que justifique o poema (perante leitor fácil ou viciado no facilitário da poesia neoparnasiana ou neorrerparnasianada).

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Poiesis(sentido etimológicoàpoieoo (grego)

significa fazer, fabricar.

A estrutura discursiva da linguagem referencial

(a dos contratos e negócios amorosos ou não)

- que deriva da infraestrutura econômica ou da sobrevida humana

predomina. E contamina (efeito marginal)

a linguagem poética (original). Corrompe. Deturpa.

Só a poesia salva. O ser humano essencial.

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Murilo Gun

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