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Dom, Maio

A poesia é o verbo (de barro) com presente, passado e futuro. Que vive o tempo real da palavra. No Brasil, hic et nunc, a poesia não tem futuro. É relativa ao passado. Debruçada sobre o ido sobretudo. Desvinculado do presente e do futuro.

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A poesia absoluta considera a lógica dialética, além da analógica, como indutora da poesia, ou seja, como instância (substituta da fria, discursiva, antissintética e insuficiente lógica aristotélica ordinária) que opera a montagem do sintagma de que se compõe o poema. Vez que, somente assim, é possível atender ao vário e fugidio ângulo do real – que a palavra tende a resumir (sintetizar) e imobilizar, no âmbito de um movimento, em que conceito (ideia) e realidade, ou seja, sujeito e objeto, essência e existência, teoria e prática comunguem... e dessa comunhão ou comunicação brote o poema.

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A Poesia Absoluta tem por condição ou natureza um viés objetivo que poeta trata abstratamente. Toda e qualquer palavra é criadora: de símbolos, de sugestões, de referenciação ao mundo, de uma raiz do real ou de um simulacro ou notícia da realidade.

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Avós, a morte os levou. Resta-nos não ser lavados (no IML ou num hospital, caro e imoral). Precisamos saber. Viver.

Não adianta a piedosa. E ilusória sapiência da morte. Aquilo de que a vida é uma preparação para a morte é idiotia doente. A vida, o sopro vital, é apenas a condição, o grid para deslanchar a viver plena e eficazmente. Onde morrer não deve constar do plano de voo da vida.

 

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O mais extraordinário salto de qualidade de que decorre uma nova síntese no processo de evolução cultural, no âmbito da arte em geral, revolução estética, que influiu consideravelmente nos campos social, psicológico e científico ( e setores tão distintos como arquitetura e filosofia), ocorreu no início do século XX.

Século XX que não começou, como se diz, no final da primeira guerra mundial. Iniciou-se com Picasso.

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A morte é um caminho impercorrido pelos vivos.

Só aos que o sopro abandona dá-se o privilégio de conhecer essa senhora sinuosa mas severa, incontível porém caudalosa, sobretudo astuciosa.   Ou somos nós que não valorizamos essa tão velha dama impiedosa? Damos à morte muitas razões, vário motivo, facilidades sem conta, desculpas imperdoáveis, para que ela nos leve a seu reino triste, inconhecido mas possivelmente doloroso ao extremo. Se Deus, tão abnegado e propiciador audaz, nos deu a vida, foi para ser vivida, nunca desperdiçada, trocada por tostões ou biscoitos, num escambo bursátil arriscado. Em paixões amorosas idiotas liquidada a troca de lágrimas ou ciumadas sem dentes.

 

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Atribuiu-se o apodo de vanguarda às várias correntes artístico-literárias iniciadas na Europa no começo do século 20, lançadas atravésde manifestos, como o da literatura futurista de Marinetti, o da escultura, de Boccioni, o santeliano, dos arquitetos (Sant’Elia), o manifesto do teatro sintético, o dos músicos e da arte dos ruídos, entre tantos.

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Compomos uma sociedade tecnologizada, cuja característica aparente principal situa-se no âmbito da difusão e produção de imagens e informações.

De ídolos e simulacros somos férteis. Leibniz amaria viver essa hora de intempéries do homem.  Quando a mônada do mundo é uma gosma em espasmo.

No caso do Brasil, nos encontramos na periferia desse contexto, cuja ponta está nos Estados Unidos, Ásia e Europa. Computadores, notebooks, smartfones, games, celulares, tipo iphone (2G, 3G, 3GS), tablets são ídolos dessa nova crença tecnológica. Comportamo-nos como crianças operando chips, calculando tarifas adequadas, acompanhando gerações e exibindo essas nanomáquinas (de bolso e alma), que nos inserem na tecnosfera e nos convidam a realidades virtuais sofisticadas, aceleradas e mesmo desconcertantes.

 

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Sthéfane Mallarmé, um dos fundadores da modernidade poética, se obstinha em não agradar aos leitores mais sensíveis, viciados no facilitário da compreensão. Exigia pois, do seu qualificado (e bastante inumeroso) leitor, suor compreensivo.

 

Mallarmé considerava a clareza poética, a frase conclusiva, o verso certinho graça bem secundária, afirma Valéry.

 

Poesia é para nós (nos) compreendermos e não para sermos compreendidos.

 

Quando acoimaram Mallarmé de obscuro, ele perguntava se a obscuridade provinha de insuficiências do leitor ou da poesia.

 

O poeta, dispara Mallarmé, não pode exibir o sentido do poema numa bandeja dourada à mão (beijada) do leitor, senão não passará de um simples camelô da literatura, mercador de palavras bonitas, pio escultor de frases de efeito, a batear gemas pérolas, joias verbais preciosas mas sem valor poético real. Mero adereço do espírito parco (subtraído).

 

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Hermeticamente profundos.

Os fossos da depressão são escuros, largos, circulares e atentos. Estreitas só as portas do céu da normalidade.

 

Se, ao menos, eu fosse escritor poderia curar-me por alguns dias,

aqueles em que mergulhasse no interior caudaloso do processo criador:

enterrado nos ungüentos vivos da palavra, libertaria o mal que me alucina os

dias, evitaria, sei-o, suas garras antigas e precisas, aduncas como as de um lobo que voasse.

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Murilo Gun

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